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Educação Financeira

Vendas de consórcio crescem mesmo com oscilações da economia

Entenda por que as vendas de consórcios cresceram entre 2007 e 2025 e como Selic, renda e emprego influenciam o setor.

Vendas de consórcio crescem mesmo com oscilações da economia
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As vendas de consórcios apresentaram crescimento na maior parte dos anos entre 2007 e 2025, apesar das mudanças nas taxas de juros, das crises econômicas e das variações na renda dos consumidores. Nesse intervalo, a comercialização de cotas recuou em apenas quatro anos, indicando a capacidade de recuperação do Sistema de Consórcios em diferentes cenários nacionais.

A análise foi apresentada pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), que acompanha a evolução do setor e os fatores econômicos capazes de influenciar a procura pela modalidade. O levantamento também ajuda a explicar por que a taxa Selic, isoladamente, não é suficiente para determinar o desempenho das vendas.

Um sistema criado no Brasil e marcado pela resiliência

O Sistema de Consórcios foi criado em setembro de 1962 e, desde então, passou por diferentes fases da economia brasileira. Ao longo de sua trajetória, enfrentou planos econômicos, recessões, mudanças de moeda e períodos de instabilidade sem interromper sua atuação como mecanismo de autofinanciamento.

Nos últimos anos, o segmento registrou novas marcas na comercialização de cotas e no número de participantes ativos. O movimento contribuiu para que o sistema alcançasse patamares recordes, como mostram os dados mais recentes sobre a adesão de consumidores à modalidade. Esse avanço também aparece em análises sobre o recorde de participantes do setor.

Para Luiz Antonio Barbagallo, economista da ABAC, o segmento não está imune às crises, mas demonstrou capacidade de enfrentar oscilações e se recuperar com rapidez. A avaliação considera o comportamento histórico das vendas e sua relação com os principais indicadores econômicos.

Crescimento predominou entre 2007 e 2025

Ao analisar os percentuais de evolução das vendas de cotas e a trajetória da taxa Selic entre 2007 e 2025, Barbagallo destaca a frequência dos períodos de alta. Segundo o economista, o crescimento anual superou determinados patamares em uma parcela relevante do ciclo analisado.

  • Em 12 anos, o crescimento das vendas ficou acima de 5%, equivalente a 60% do período.
  • Em 10 anos, o avanço ultrapassou 6%, representando 50% do ciclo analisado.
  • Em 5 anos, o crescimento foi superior a 10%, correspondente a 25% do intervalo avaliado.
  • As vendas recuaram em apenas 4 anos entre 2007 e 2025.

Os números indicam que o Sistema de Consórcios manteve uma trajetória predominantemente positiva, ainda que o ritmo tenha variado conforme as condições econômicas. O desempenho reforça a importância de observar o conjunto de fatores que afeta a capacidade de compra das famílias e das empresas.

Selic elevada não garante aumento nas adesões

Um dos principais pontos da análise é a relação entre a taxa Selic e as vendas de consórcios. A percepção de que juros altos favorecem automaticamente a modalidade não se confirma quando os dados são examinados em conjunto com outros indicadores.

Entre 2013 e 2016, o Brasil enfrentou uma recessão econômica considerada severa, com aumento do desemprego, redução da renda dos consumidores e juros elevados. Em 2016, a taxa registrada foi de 14,03%, enquanto o desempenho das vendas de consórcios apresentou resultado negativo de 4,8%.

Esse período mostra que uma Selic elevada não é suficiente para impulsionar as adesões. Embora o consórcio possa ser avaliado como alternativa de planejamento para consumidores que buscam adquirir bens e serviços sem recorrer diretamente ao financiamento tradicional, a contratação depende da capacidade financeira e da confiança das famílias.

Na avaliação da ABAC, os principais fatores associados ao desempenho negativo naquele período foram justamente a renda e o nível de emprego. Com menos recursos disponíveis e maior insegurança profissional, os consumidores tendem a adiar compromissos de médio e longo prazo, incluindo a entrada em grupos de consórcio.

Renda e emprego também pesam no resultado

A evolução das vendas demonstra que o comportamento do mercado está ligado a uma combinação de variáveis. A taxa de juros pode influenciar as decisões de consumo, mas não substitui a análise da renda, do emprego e das expectativas econômicas.

Quando o mercado de trabalho apresenta melhores condições e os consumidores têm maior previsibilidade financeira, aumenta a possibilidade de assumir parcelas e planejar a aquisição de imóveis, veículos, serviços ou outros bens. Já períodos de desemprego e perda de renda tendem a reduzir a procura, mesmo quando a modalidade pode oferecer condições de planejamento distintas das operações de crédito convencionais.

O histórico entre 2007 e 2025, portanto, sugere que o Sistema de Consórcios possui resiliência, mas continua exposto às condições gerais da economia. O crescimento observado não elimina os efeitos das crises; ele mostra que o setor pode reagir e retomar a expansão após períodos de retração.

Perspectivas para o Sistema de Consórcios em 2027

A análise histórica servirá de base para uma segunda avaliação da ABAC sobre as perspectivas do setor em 2027. O estudo deverá considerar o comportamento esperado da Selic, as condições de renda e emprego e o ambiente econômico projetado para os próximos anos.

A expectativa para o segmento dependerá da combinação desses fatores. Uma eventual melhora na renda e no mercado de trabalho pode sustentar novas adesões, enquanto um cenário de desemprego elevado ou perda do poder de compra pode moderar o ritmo de crescimento.

Os dados disponíveis indicam que a taxa Selic deve ser observada dentro de um contexto mais amplo. Para compreender as vendas de consórcios, é necessário avaliar também a capacidade de pagamento dos consumidores e o nível de confiança para assumir compromissos de longo prazo.

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Emerson Miranda | Proposito Canaan Consultoria

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