A organização financeira está diretamente ligada à experiência dos consumidores com o consórcio, segundo uma pesquisa encomendada pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) à Okiar Intelligence. O levantamento identificou que os participantes utilizam ou consideram a modalidade para diferentes finalidades, que vão da formação de uma reserva financeira à compra de bens e realização de projetos pessoais.
Conduzida em etapas qualitativa e quantitativa, a pesquisa analisou a percepção dos consumidores sobre o Sistema de Consórcios, além das principais razões para a utilização dos créditos. Os resultados apontam diferenças importantes entre participantes ativos, contemplados e pessoas que cancelaram seus planos.
Organização financeira influencia participação
Os consumidores com maior organização financeira demonstraram uma relação mais consistente com o consórcio. Já os perfis considerados mais vulneráveis apresentaram maior dificuldade para manter os pagamentos, o que afetou tanto a adesão quanto a permanência nos grupos.
Entre os participantes ativos, 60% apresentaram uma estrutura financeira mais organizada. O índice foi ainda maior entre os contemplados, chegando a 65%. Por outro lado, entre os consumidores endividados, 27% já haviam providenciado o cancelamento da participação.
O resultado indica que a capacidade de planejamento pode ter influência sobre a continuidade do contrato. Antes de aderir, o consumidor precisa avaliar o orçamento disponível, o valor das parcelas e a possibilidade de manter os pagamentos durante todo o prazo do grupo.
A pesquisa também mostrou que 56% dos entrevistados conhecem o consórcio. Entre aqueles que afirmaram conhecer a modalidade, 28% disseram entender bem ou muito bem como ela funciona. O levantamento associou o consórcio a conceitos como planejamento, disciplina financeira e organização de objetivos.
Esse comportamento acompanha o aumento do interesse por estratégias de planejamento patrimonial, incluindo o consórcio de imóveis como alternativa para quem pretende programar a aquisição de um bem sem recorrer imediatamente ao financiamento.
Reserva financeira lidera objetivos apontados
Construir uma reserva financeira foi o objetivo mais citado pelos consumidores, com 36% das respostas. Logo depois apareceu a intenção de investir ou aplicar dinheiro, mencionada por 35% dos entrevistados.
Entre as pessoas que indicaram essas duas finalidades, 43% eram consorciados contemplados. De acordo com os resultados, esse dado confirma percepções identificadas na etapa qualitativa da pesquisa, na qual a modalidade foi relacionada à organização e à estabilidade financeira.
Viajar e quitar dívidas apareceram na sequência, ambos com 30%. No grupo que pretendia viajar, 46% eram consorciados contemplados. Já entre os entrevistados que apontaram a quitação de dívidas como objetivo, 36% eram consorciados cancelados.
Outras metas também foram identificadas. A lista reúne objetivos financeiros, familiares, profissionais e ligados à aquisição de bens:
- Garantir segurança financeira para os filhos: 24%;
- Comprar um imóvel: 24%;
- Comprar um carro: 19%;
- Abrir ou investir em um empreendimento: 17%;
- Investir em estudos: 16%;
- Garantir a aposentadoria: 14%;
- Reformar um imóvel: 14%;
- Comprar uma motocicleta: 7%.
Os percentuais mostram que o consórcio é associado a diferentes planos de médio e longo prazo. Além da compra de bens, os consumidores relacionaram seus objetivos à formação de patrimônio, educação, empreendedorismo, viagens e proteção financeira da família.
Perfil dos consumidores entrevistados
A pesquisa ouviu 3.290 consumidores em todo o país. O estudo foi dividido em uma etapa qualitativa, realizada com quatro grupos de trabalho que reuniram 20 pessoas, e uma fase quantitativa. Os participantes haviam contratado um plano nos dois anos anteriores e foram classificados como consorciados ativos, contemplados ou cancelados.
| Característica | Distribuição |
|---|---|
| Homens | 55% |
| Mulheres | 44% |
| Idade entre 18 e 35 anos | 62% |
| Idade entre 36 e 55 anos | 35% |
| Acima de 56 anos | 3% |
| Casados ou em união estável | 50% |
| Com filhos | 39% |
Na composição por classe social, 11% dos entrevistados pertenciam à classe A, 46% à classe B, 35% à classe C, 5% à classe D e 3% à classe E.
A distribuição regional também foi considerada. O Sudeste concentrou 44% dos participantes, seguido pelo Centro-Oeste, com 28%, Nordeste, com 16%, e Sul e Norte, com 6% cada. A cobertura incluiu moradores de capitais e cidades do interior.
Planejamento é ponto central
Segundo os dados, a experiência com o consórcio varia de acordo com a situação financeira e com a clareza dos objetivos de cada consumidor. Participantes contemplados aparecem com maior frequência entre aqueles que pretendem investir, viajar ou formar uma reserva. Já os cancelamentos estão mais associados a consumidores endividados ou com dificuldade para sustentar os compromissos financeiros.
Os resultados reforçam a importância de avaliar o orçamento antes da contratação. Embora o consórcio possa ser usado para organizar a compra de bens e planejar projetos, a participação exige disciplina para o pagamento das parcelas e compreensão das regras do grupo.
A pesquisa foi encomendada pela ABAC à Okiar Intelligence para identificar fatores relacionados ao crescimento do Sistema de Consórcios e compreender como os consumidores percebem a modalidade. Também foram investigadas as principais finalidades atribuídas aos créditos.
Apareceu primeiro em: https://blog.abac.org.br/pesquisas-da-abac/organizacao-financeira-pesquisa-revela-objetivos-dos-consumidores




