O consórcio, modelo brasileiro de autofinanciamento coletivo criado há mais de seis décadas, vem sendo observado por outros países que desenvolveram sistemas semelhantes para viabilizar a compra planejada de bens e serviços. Apesar das diferenças nas regras, nos nomes e na supervisão, experiências na América Latina apresentam pontos de conexão com o Sistema de Consórcios do Brasil.
Escala do sistema brasileiro chama atenção internacional
A dimensão alcançada pelo setor ajuda a explicar o interesse de representantes estrangeiros. Dados da assessoria econômica da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) indicam que o Sistema de Consórcios ultrapassou 13,4 milhões de participantes ativos em julho de 2026.
Nos sete primeiros meses do ano, o volume acumulado de contas vendidas chegou a 3,31 milhões. No mesmo período, foram comercializados mais de R$ 330 bilhões em créditos, destinados à aquisição de bens e serviços em diferentes segmentos.
Além do tamanho do mercado, representantes de outros países apontam como referências a regulamentação brasileira, a diversidade de áreas atendidas e a estrutura operacional construída ao longo de décadas.
O sistema também ganhou relevância pela variedade de finalidades. No Brasil, os grupos podem estar relacionados à compra de veículos, imóveis, máquinas, equipamentos, serviços e outros bens, conforme as regras de cada modalidade.
Experiências semelhantes na América Latina
Os modelos observados em outros países têm características próprias, mas compartilham a lógica de reunir participantes que contribuem periodicamente para formar um fundo comum. A partir desse fundo, os integrantes podem acessar o crédito conforme as condições previstas em cada sistema.
No Peru, os chamados Fundos Coletivos reúnem participantes que fazem contribuições mensais. Os recursos são direcionados principalmente à aquisição de veículos e imóveis, dois segmentos também relevantes no mercado brasileiro.
Na Colômbia, o modelo é conhecido como Autofinanciamento Comercial. O funcionamento apresenta semelhanças com o consórcio, mas a atividade está fortemente concentrada no setor automotivo.
No Uruguai, a relação com a experiência brasileira é mais direta. Segundo representantes do setor local, a estrutura desenvolvida no país teve origem no modelo brasileiro, embora tenha sido adaptada às regulamentações nacionais.
Essas diferenças mostram que o autofinanciamento coletivo não é aplicado de maneira idêntica em todos os mercados. Cada país ajusta o sistema às próprias condições econômicas, jurídicas e regulatórias.
Regulamentação diferencia os modelos
No Brasil, o desenvolvimento do setor ao longo de mais de seis décadas contribuiu para a consolidação de uma estrutura com regulamentação específica, fiscalização do Banco Central do Brasil e atuação em múltiplos segmentos.
Esse conjunto de regras estabelece parâmetros para o funcionamento das administradoras e dos grupos, além de organizar a relação com os participantes. Para quem acompanha alternativas de planejamento patrimonial, compreender essas diferenças é importante antes de comparar o sistema brasileiro com experiências internacionais.
A confiança no funcionamento do setor também aparece entre os fatores observados pelos consumidores. Pesquisas sobre o comportamento dos participantes ajudam a explicar como aspectos como atendimento, benefícios e credibilidade influenciam a contratação. Para aprofundar o tema, veja a análise sobre confiança e atendimento na decisão de contratar.
Comitê internacional promove troca de informações
O intercâmbio entre os mercados ganhou uma estrutura formal em 2019, quando a ABAC criou um Comitê Internacional dedicado à troca de informações sobre a evolução dos sistemas de autofinanciamento em diferentes países.
O comitê permite compartilhar práticas, discutir desafios comuns e acompanhar tendências que podem influenciar o desenvolvimento do setor. A iniciativa também facilita a comparação entre modelos que, embora tenham objetivos semelhantes, operam sob legislações específicas.
O diálogo internacional pode contribuir para identificar soluções relacionadas à gestão dos grupos, à supervisão das operações e à comunicação com os participantes. No entanto, a adoção de qualquer prática depende das normas vigentes em cada país.
Revista reúne detalhes sobre os modelos internacionais
As experiências citadas fazem parte da matéria “Ecos do consórcio em mercados internacionais”, publicada na versão online da revista Sistema de Consórcios. O conteúdo apresenta informações adicionais sobre a relação entre o modelo brasileiro e as estruturas de autofinanciamento adotadas no exterior.
A publicação também reúne a cobertura do 46º CONAC e pode ser acessada gratuitamente em sua versão digital. A revista apresenta discussões sobre a evolução do setor e os caminhos adotados por diferentes mercados para organizar formas coletivas de planejamento financeiro.
Embora os nomes e os procedimentos variem, os exemplos do Peru, da Colômbia e do Uruguai indicam que a formação de fundos coletivos para a aquisição planejada de bens é uma alternativa presente em diferentes sociedades. A experiência brasileira se destaca pela escala, pela variedade de segmentos e pela estrutura regulatória desenvolvida ao longo do tempo.
Apareceu primeiro em: https://blog.abac.org.br/institucional/consorcio-inspira-modelos-internacionais-de-autofinanciamento




