O consórcio de imóveis ganhou espaço entre os brasileiros que planejam adquirir patrimônio. Entre janeiro e julho de 2026, foram comercializadas 979,67 mil cotas, alta de 40,8% em relação às 695,89 mil registradas no mesmo período de 2025.
Os dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) também mostram avanço no número de participantes ativos. Em julho, o segmento reunia 3,32 milhões de consorciados, crescimento de 35,5% na comparação anual. Com o resultado, os imóveis passaram a ocupar a segunda posição entre os segmentos com mais participantes no Sistema de Consórcios, atrás apenas dos veículos leves.
Participação do segmento imobiliário aumenta
Em julho de 2025, o consórcio de imóveis tinha 2,45 milhões de participantes ativos. Um ano depois, o volume chegou a 3,32 milhões. O aumento fez o segmento ultrapassar as motocicletas e assumir a segunda colocação no sistema.
O desempenho indica que a modalidade vem sendo considerada em diferentes projetos de aquisição e formação de patrimônio. A casa própria continua entre os principais objetivos, mas o consórcio também pode ser utilizado no planejamento de um segundo imóvel, na ampliação do patrimônio ou na preparação para uma compra futura.
Como envolve valores elevados e compromissos de longo prazo, a decisão exige análise do objetivo, do valor do crédito, do prazo e do impacto das parcelas no orçamento. Para quem avalia estratégias de patrimônio, entender o consórcio é uma etapa importante antes da adesão.
Créditos comercializados chegam a R$ 195,11 bilhões
O crescimento das vendas também foi acompanhado por uma forte movimentação financeira. Nos sete primeiros meses de 2026, o segmento comercializou R$ 195,11 bilhões em créditos, alta de 33,1% sobre os R$ 146,56 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
Além de representar quase 284 mil cotas a mais em relação ao ano anterior, o resultado mostra a dimensão alcançada pelo consórcio imobiliário dentro do mercado brasileiro. O aumento das adesões ocorreu, portanto, junto com a expansão do volume financeiro contratado.
Contemplações avançam 18% em sete meses
O número de contemplações também apresentou crescimento. Entre janeiro e julho de 2026, 93,93 mil consorciados de imóveis foram contemplados, ante 79,57 mil no mesmo período de 2025. A alta foi de 18%.
As contemplações disponibilizaram R$ 18,64 bilhões em créditos, volume 12% superior aos R$ 16,65 bilhões contabilizados entre janeiro e julho do ano anterior.
A contemplação permite ao participante utilizar o crédito de acordo com as regras e condições do grupo para adquirir o imóvel. O momento, porém, deve ser acompanhado de planejamento, já que a escolha do bem e os custos envolvidos precisam ser compatíveis com a estratégia financeira do consorciado.
Consórcio representa 25,3% das unidades financiadas
Outro indicador da ABAC dimensiona a presença do consórcio no mercado imobiliário. Considerando as 371,03 mil unidades imobiliárias financiadas no primeiro semestre de 2026, a entidade estima que as contemplações do consórcio representaram uma participação potencial de 25,3%.
Na prática, o percentual equivale a aproximadamente um imóvel a cada quatro quando comparado ao total de unidades financiadas no período. O dado reforça a relevância da modalidade entre as alternativas utilizadas pelos brasileiros para organizar a aquisição imobiliária.
FGTS movimenta R$ 257,68 milhões
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) também participou do avanço do segmento. De janeiro a julho de 2026, 2.795 trabalhadores participantes de consórcios utilizaram R$ 257,68 milhões do fundo em operações relacionadas à modalidade.
O valor foi 32,9% maior que os R$ 193,85 milhões movimentados no mesmo intervalo de 2025. Desde que atendidas as regras aplicáveis, o FGTS pode ser usado em situações como oferta de lance, complementação do crédito e, após a aquisição do imóvel, amortização ou liquidação do saldo devedor e pagamento de parte das parcelas.
A possibilidade amplia as alternativas de planejamento para quem já possui recursos no fundo. Ainda assim, a utilização depende do enquadramento da operação e das exigências previstas para cada finalidade.
Planejamento deve considerar mais do que o valor da parcela
O crescimento do consórcio imobiliário ocorre em um contexto de busca por organização financeira para decisões de médio e longo prazo. No entanto, a análise de uma cota não deve se limitar ao valor mensal apresentado.
É necessário avaliar o orçamento familiar, o prazo do grupo, o crédito desejado, as condições contratuais e a finalidade do imóvel. Também é importante considerar que a contemplação depende das regras do grupo e pode ocorrer por sorteio ou lance, conforme previsto no contrato.
Uma estratégia bem definida ajuda a evitar compromissos incompatíveis com a renda e permite relacionar a aquisição do imóvel a objetivos mais amplos, como diversificação patrimonial ou planejamento de renda futura. Para empreendedores, o uso do crédito imobiliário também pode integrar projetos ligados à expansão de negócios, tema abordado em outros planejamentos.
Principais números do consórcio de imóveis
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Participantes ativos em julho de 2026 | 3,32 milhões |
| Cotas comercializadas entre janeiro e julho de 2026 | 979,67 mil |
| Crescimento das vendas de cotas | 40,8% |
| Créditos comercializados | R$ 195,11 bilhões |
| Consorciados contemplados | 93,93 mil |
| Créditos disponibilizados nas contemplações | R$ 18,64 bilhões |
Os resultados divulgados pela ABAC mostram que o consórcio de imóveis se consolidou como uma das principais frentes de expansão do Sistema de Consórcios. O avanço das vendas, das contemplações, da base de participantes e do uso do FGTS indica que a modalidade passou a integrar com mais frequência os planos de brasileiros interessados em adquirir bens e construir patrimônio.
Fonte: Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), com dados de janeiro a julho de 2026.
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